O artigo sobre o CDJ 350 e o fim da era dos DJs gerou uma discussão muito sadia, e que todos nós podemos tirar proveito. Não podemos deixar todas as ideias e conceitos levantados por lá na gaveta, chegou a hora de quem realmente gosta desse universo, se unir para fazer o bem comum.

Fico muito feliz e lisonjeado, quando muitas pessoas se dedicam a ler e comentar com inteligência os meus artigos, aliás esse é o maior objetivo do dgtl.lv/clients/ilankriger/wordpress.

Não quero pintar um panorama apocalíptico, mas estamos em um ponto de virada, ou o DJ e o seu universo vai ser cada vez mais valorizado, ou estamos fadados a morte.

Eu tento aqui no site e muitos outros blogueiros também se esforçam, mas infelizmente ainda somos um voz muito tímida, se comparado com todo o universo de informação que tem por aí.

Montei um quadro, com 3 possíveis desdobramentos da nossa profissão. Não quero deixar ninguém triste, mas demonstrar o que nós podemos ajudar a mudar.

Qual é o futuro dos DJs? 3 cenários do nosso futuro:

Otimista

  • Artistas: quem se dedicar a esta arte, além de dominar hardwares e softwares (para fazer algo mais que apenas tocar músicas), vai precisar ter um estudo de música, pesquisar por horas a fio, novas músicas e tendências, esses artistas também vão valorizar o seu trabalho cobrando cachês dignos. O mercado de Live Pas vai estar em franca expansão, pois público e promoters vão valorizar cada vez mais trabalhos autorais;
  • Promoters: vão cada vez mais entender de música, e de quais são os elementos necessários para uma boa noite de diversão. Além de valorizar o trabalho de DJ, VJ e produtores musicais (Live Pas);
  • Público: as pessoas vão começar a ir para as festas para ouvir boa música, encontrar com amigos e ter experiências únicas  e sadias;
  • Mercado: os DJs e produtores musicais vão ocupar um espaço maior no meio musical, com apresentações em conjunto com bandas e remixes de outros estilos.

Realista

  • Artistas: muitos artistas vão se dedicar a pesquisar novas tecnologias e formas de apresentar música, mas infelizmente boa parte do público não vai entender a diferença dele e de um DJ que apenas aperta o play;
  • Promoters: vão primar em selecionar artistas que toquem os hits do momento e que se encaixem no perfil bonito/gostosa/celebridade;
  • Público: estará cada vez menos se importando com a música em si e mais com a fitinha do camarote;
  • Mercado: ser DJ já é atualmente a profissão da moda, muitos famosos e celebridades estão buscando (e vão continuar buscando) neste universo, uma saída para otimizar os seus rendimentos.

Pessimista

  • Artistas: os DJs vão ser substituídos por famosos, que com o seu carisma vão levar um público com cada vez menos informação a loucura;
  • Promoters: vão primar em colocar nos seus line-ups artistas da Globo, modelos e qualquer outro tipo de celebridade;
  • Público: as festas vão ser locais para azaração e para ver os famosos desfilando nas cabines;
  • Mercado: a maioria dos DJs vão se transformar em artistas de quinta categoria, fadados a se apresentar em churrascarias e outros locais onde o dono da casa não tem dinheiro para pagar uma banda.

Fato atual: Jesus Luz versus Gui Boratto

Para quem é entendido não tem comparação, mas como o namorado da Madonna consegue cobrar R$40.000,00 por apresentação e alguém como o Gui Boratto, que tem uma carreira internacional consolidada e inúmeros hits, tem um cachê que nem chega a metade do valor?

(Rafael Araujo)

Como nós podemos reverter essa situação?

Pode parecer utópico, mas vou tentar levantar alguns conceitos que se bem trabalhados podem gerar alguma resutado:

  • Criação e difusão de blogs e sites que eduquem o público;
  • Organização de escolas, academias e ciclos de palestras que levem informação para os novos artistas e público interessado;
  • Movimento pró DJ – acabei de inventar ele – entre os próprios DJ, promoters e donos de agência – se cada pessoa mobilizar outra podemos ter uma corrente que vai alcançar a todos.

O que você acha?

  • Podemos ser otimistas?
  • O que você vai fazer para tentar mudar o rumo do nosso mercado?