Primeiro lugar no Beatport com tempero brasileiro

Não deve ser novidade para ninguém que o Beatport é o site número 1 em vendas de MP3s para música eletrônica. A música mais vendida hoje (26 de fevereiro) no “portal das batidas” tem tempero brasileiro, e ela foi produzida, por um alemão e remixada por um italiano. O Felippe Senne aproveitou e escreveu um excelente artigo sobre o assunto no blog dele.

Se o tempero é nacional, por que não tem um brasileiro no pódium e sim um alemão e um italiano? Estão roubando nosso Pau-Brasil?

Acredito que o problema vem desde os tempos do império, naquela época era comum no verão de 40 graus do Rio de Janeiro, as mulheres da corte vestirem pesados, vestidos pois esta era a moda no inverno europeu.

Isso é exatamente, o que nos últimos anos muitos brasileiros quiseram fazer na pista de dança com o Minimal, que é um gênero tipicamente europeu e que não tem muito haver com a cultura do brasileiro.

Outra herança do Brasil colônia, é que por muito tempo nós não tivemos uma indústria nacional, por isso só as coisas que vinham de fora eram realmente “boas”. Esse conceito ainda está no nosso sub-consciente, por isso que a nossa sociedade faz questão de apedrejar os seus pares e louvar os gringos.

Não temos que depreciar o trabalho Bellini e do Manuel de la Mare (que vem sempre para o Brasil e até já foi na AIMEC Curitiba), eles só tiveram a visão que a maioria dos produtores nacionais ainda não teve.

Gostei muito de uma parte do artigo do Fellipe Senne e vou reproduzir aqui:

“Se continuarmos a fazer dance music sem referências nacionais vamos sempre estar atrás do Funk Carioca, do Sertanejo Universitário, do Pagode, do Emo Rock Nacional e de tudo mais que geralmente quem curte dance music torce o nariz, mas a verdade é que esses gêneros FALAM A MESMA LÍNGUA DO PÚBLICO, tanto na língua portuguesa quanto no swing natural do brasileiro. Olhe a galera do Rock Metal: o Sepultura explodiu no mundo inteiro depois de fazer um álbum com influências nacionais. E aí, vamos agitar isso? Ou vamos deixar os gringos fazerem sucesso mundo afora com a NOSSA música? Vou bater na porta dos selos nacionais e sugerir a criação de uma compilação só com tracks com tempero nacional.”

Tribo Brazil

Eu já penso assim e produzo música eletrônica com tempero brasileiro desde 2002, fico feliz de ter voltado a essas origens com o Tribo Brazil, fico muito feliz em ver cada vez mais gente abrindo os olhos e valorizando a nossa cultura. Essa semana eu fiz o sétimo episódio do Podcast do Tribo Brazil, das 19 músicas 15 são de produtores nacionais, fiquei bem surpreso e animado com o resultado, vou aproveitar o assunto e reunir aqui, os últimos artigos do site do Tribo Brazil:

Vamos criar a Brazilian Mafia?