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Esse é o sexto e último artigo desta série, acredito que este é o ponto mais importante e relevante para ser pensado e estudado.

Em um passado recente os toca-discos eram a ferramenta preferida de 10 entre 10 DJs, como o seu funcionamento é relativamente simples (permite controlar a velocidade com o pitch e manipular o disco com prato) é fácil para a audiência perceber quando o artista faz o uso criativo da ferramenta – em outras palavras fica fácil de perceber quanto ele é realmente bom.

Imagine alguém que não conhece nada sobre softwares de mixagem e controladoras Midi, ao assistir um artista se apresentando com o Ableton Live + APC 40 ou Traktor + Kontrol X1 – dificilmente esse leigo, vai entender o que o DJ está fazendo e muito menos conseguir julgar se a performance é difícil de ser reproduzida ou não. Esse sim é o desafio de qualquer DJ Digital, transformar a sua apresentação em algo que seja entendido facilmente pelo público e que demonstre que ele está realmente criando algo novo e empolgante. Por isso também acredito no formato DJ + músico, que eu estou aplicando no projeto Webbep ao lado do multi-instrumentista James Feeler.

Qual vai ser o novo toca-disco?

A Technics (depois de alguns boatos), finalmente anunciou que vai parar de produzir os seus queridos toca-discos, mas qual ferramenta pode substituir ele a altura?

Acredito que vai ser preciso uma interface simples, que se modifique ao prazer do artista a cada música apresentada.

É isso que o trio Glitch Mob faz com maestria, cada um deles usa uma controladora Midi comum e também uma Jazzmutant Lemur em suas apresentações – o diferencial é que eles deixam as interfaces viradas para o público, para que qualquer um com facilidade entenda o que eles estão fazendo.

Drum solo on Lemurs at Fabric London from the glitch mob on Vimeo.

O áudio do vídeo acima está com uma qualidade horrível, mas prova o conceito – que é possível sim ajustando pequenos detalhes “informar” o público com grande clareza o que está sendo feito no palco.

iPad e similires podem ser o novo toca-disco?

Antes mesmo do Steve Jobs terminar a palestra de lançamento do iPad, eu já previa que ele poderia substituir com facilidade e por 1/4 do preço a Lemur, teve muita gente me chamando de louco, mas menos de 1 ano depois a Jazzmutant Lemur (neste semana) anunciou que está parando de produzir as suas controladoras.

A Lemur morreu, mas as controladoras de multi-toque vão ter vida longa, no iPad o aplicativo Touch Osc com o seu editor é uma excelente alternativa para criar apresentações estilo Glitch Mob.

As telas de multi-toque também tem os seus problemas, confira um quadro comparativo das vantagens e desvantagens desse tipo de controladora em relação a controladoras MIDI comuns:

Vantagens:

  • Pode facilmente ser modificada (quer mais faders, menos faders, quer knobs e etc);
  • Pode ser modificada de música em música – a turma do Glitch Mob faz isso, as vezes o Lemur tem 2 botões, as vezes 6 e até 8 dependendo da necessidade;
  • Com o novo sistema operacional para iPad e iPhone (iOS4.2) esses devices vão ter suporte Midi, com isso vai ser muito mais fácil usar eles como controladoras (comunicação entre iPad e computador e comunicação entre iPad e iPad);
  • Existem centenas de excelentes aplicativos que podem ser usadas em infinitas configurações;
  • Tem o apelo visual das cores.

Desvantagens:

  • Não tem a facilidade do controle pelo tato, você vai precisar olhar para a controladora para manipula-la;
  • Não tem sensor de velocidade (não consegue perceber se o toque foi forte ou fraco) – isso da menos realismo para uma performance de um músico.

O que você acha, qual vai ser o novo toca-disco?