Se você está acompanhando a mini-série de 4 artigos sobre as resoluções de ano novo que estou tomando, você já deve saber que eu quero reduzir ao máximo o tempo que eu invisto criando re-edits e mash-ups para poder me dedicar mais a produção musical, pensando nisso se o Webbep é o meu principal projeto autoral, também seria natural ele mudar.

Começo do projeto:

Conheci o James (com quem eu faço o Webbep) em 2006, no início eu só conhecia o lado empresário dele (dono de estúdio de áudio para publicidade e organizador da Oficina de Música de Curitiba), mas em pouco tempo entrei em contato com o seu talento musical seja como cantor, baterista e tecladista.

No ano passado depois que comprou a Maschine, comecei a ensinar alguns truques para ele, quando surgiu ideia de produzirmos juntos, com o recém chegado Minimoog (outra aquisição dele) nós começamos a fazer algumas experimentações. Na mesma época a Tribaltech que é uma das principais festas de Curitiba lançou uma competição, onde os artistas selecionados tocariam no evento. Acho que a quantidade mínima era de 6 músicas, começamos a nos encontrar mais, para tentar fazer a inscrição.

Essa foi uma excelente fase do projeto (que não tinha nem nome), o James além de um músico talentoso também é um rápido e eficiente compositor, em todo encontro, nós não precisávamos mais de 2 horas para ter um rascunho de uma boa peça musical.

Nós não chegamos a nos inscrever na competição, mas aquela experiência foi muito importante para mostrar que existia uma química musical entre a dupla.

O caminho para a pista de dança

Rider de palco do Webbep

Depois de uns 20 encontros no estúdio, surgiu a oportunidade de tocar na Vibe (que é um dos clubes mais tradicionais de Curitiba), nós ainda tínhamos 20 dias para a data, mas eu iria passar 15 deles fora do Brasil, por isso não teríamos tempo para praticar, mesmo assim os dois malucos aceitaram a empreitada.

Nos 5 dias que nós tivemos, optamos por criar mash-ups das nossas produções orginais (que tinham BPM 120) para “encaixar” em um set com cara de Vibe. O resultado foi ok, nada muito excepcional, os mash-ups (com nossas músicas) não funcionaram muito bem e o ponto alto da nossa apresentação foi uma versão de Underworld – Always loved a film.

O caminho fácil para empolgar uma pista de dança

Depois desse primeiro show, nós fechamos uma data na Lique (atualmente a principal casa noturna de Curitiba), para essa festa decidimos criar mais alguns mash-ups. Analisando hoje, claro que esse foi o nosso maior erro. Fazer mash-ups para ter um projeto de covers com Live vocal é algo simples e que atualmente no Brasil está se transformando em algo banal.

Parece que a turma estava animada

Com os mash-ups nós conseguimos levantar a pista, mas sem poder mostrar o nosso lado musical e autoral, os mash-ups deixaram o projeto em uma linha de conforto, onde a produção musical foi substituída pela produção de mash-ups.

A ida para uma grande agência

Alguns meses depois eu entrei em contato com o Sandro Horta, da excelente agência DJcom, mostrei alguns vídeos gravados na Lique e ele se animou. Depois de algumas conversas fomos convidados a ingressar na agência (o que nos deixou cheios de orgulho).

Ilan &  James

Nós não chegamos a deslanchar principalmente por que não chegamos a fechar nenhum set mixado (para mostrar como o projeto funciona). O James desde as primeiras apresentações baseadas em covers se mostrava desanimado com os caminhos do projeto.

Analisando hoje a nossa curta estória, vejo que nós queimamos algumas etapas – se o projeto ainda estivesse encubado criando produções próprias, nós teríamos mais conteúdo para que a agência divulgasse o nosso trabalho.

Recomeçar para voltar com mais força

Depois de muita conversa com o James, chegamos a conclusão que o Webbep da forma que está não vai trazer grandes ganhos para a nossa carreira, ele com 41 anos e eu com 33 não temos mais tanto tempo diário para investir e por isso precisamos concentrar as nossas forças em algo mais sólido e duradouro, por isso nós decidimos:

  • Parar com os shows
  • Investir todo o tempo disponível na criação de músicas originais
  • Disponibilizar as músicas para DJs, produtores musicais e o público final para testar o resultado e aceitação
  • Retornar com um show exclusivo com produções próprias (ou com uma forte base de músicas próprias sem mash-ups e bootlegs)

Com certeza essa notícia pode chocar as pessoas que gostam do projeto como ele está agora, mas tenho certeza que com uma boa dose de trabalho vamos alçar vôos maiores.

Gostaria de agradecer a todos que acreditaram e apoiaram o projeto até aqui: Dudu, Jeje e Fernanda (Vibe), Paulão, Leandro e Edo (Lique), Sandro Horta, João Guilherme Leprevost e Juliana (DJcom), Marcelão (Bielle), Gustavo Rassi e Zagonel (Warung) e a todas as pessoas que foram aos nossos shows.