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Já faz mais de 25 anos que o Brasil foi invadido por uma enxurrada de bandas covers, não sei se o problema era o dólar caro que inviabilizava trazer grandes shows, falta de criatividade dos músicos locais ou apenas uma forma rápida dos artistas ganharem dinheiro.

Eu vejo que o maior problema de ter uma banda cover é que o público no fim das contas, lembra das músicas e não dos músicos – com isso o trabalho da banda original é engrandecido e dos músicos locais diminuído.

Existem sim bandas covers que ficam “famosas”, mas isso não é currículo, não te ajuda a fazer o seu trabalho ficar conhecido nacional e internacionalmente.

Você concorda com isso?

Webbep e os covers de música eletrônica

Quando eu o James começamos o Webbep a nossa ideia principal era (e continua ser) a de fazer música juntos.

Nós investimos os primeiros dois meses da parceria para fazer alguns rascunhos com muitas experimentações, que já nos deixaram muito felizes, mas se nós fossemos esperar para começar a tocar apenas depois de terminar 15/20 músicas o processo todo iria demorar alguns meses (e por que não mais que um ano), por isso nós decidimos criar alguns covers para rechear o nosso set (que é um DJ set e não um Live PA).

Como foram criados os covers?

O James é vocalista (além de tocar outros instrumentos), para ele cantar tivemos que criar versões Dub (sem vocal) das músicas selecionadas.

Nós basicamente trabalhamos em três frentes:

  • Usar versões instrumentais das músicas: fizemos isso no Always Loved a Film do Underworld, o Michel Woods tem uma excelente versão instrumental;
  • Reedit: no caso de músicas como Swïtchfoot – Always, eu tirei o vocal original apenas reeditando as partes;
  • Mash-up: no caso de American Idiot foi selecionado uma música do mesmo tom, que misturada com a música original gerou um mash-up original;

Conclusão – O que você pode aprender com isso?

Depois de muitos ensaios, percebi algo que parecia impensado, é possível sim, aprender e muito fazendo cover:

  • DJ: ele vive fazendo cover (tocando músicas de outros artistas) – com isso é possível que ele aprenda sobre arranjo, dinâmica de pista (qual parte traz a pista para cima ou para baixo), timbres (quais timbres levam a pista a loucura);
  • Produtor: estudar e recriar timbres e efeitos podem ser um passo importante para dominar certas técnicas e com isso aplicar em novas músicas;
  • Músico: esse sim aproveita muito o ensinamento dos covers, pois ele com facilidade vai conseguir imitar e depois recriar de uma forma diferente melodias e harmonias. Um músico que pratica muito fazendo cover também pode ficar “afiado” para performances próprias.

A nossa ideia é ir de show em show adicionando produções próprias e retirar os covers.

O que você acha? Vale a pena fazer cover ou o artista deve pensar apenas em músicas próprias?