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Em 1985, a empresa japonesa Nintendo lançou e alcançou grande sucesso principalmente no Japão e EUA, o NES (Nintendo Entertainament System). O Nintendo foi o primeiro vídeo game de 8 bits (o Atari usava processadores de 4 bits), mesmo com o dobro da capacidade os gráficos ainda eram simples, tão simples que os desenvolvedores do seu carro chefe o jogo Super Mario Bros., tiveram que ao invés de desenhar uma boca, desenhar um bigode para fechar o rosto do seu principal personagem.

Nesta época foram lançadas algumas das maiores franquias dos vídeo games: Super Mario Bros., Final Fantasy, The Legend of Zelda, Dragon Quest, Metroid, Mega Man, Metal Gear, Castlevania, Phantasy Star, e Bomberman.

A grande diferença do NES para o Atari era que agora os jogos, ganhavam um roteiro com começo meio e fim. Isso acabou gerando um maior envolvimento dos usuários com os personagens. A influência sobre crianças, jovens e adultos naquela época foi enorme, pela quantidade menor de opções, muito diferente de hoje em que as pessoas investem horas em Internet e Tv a cabo. Naquela época o entretenimento caseiro era resumido a filmes em VHS ou a Tv aberta.

O NES tem um processador separado para áudio, que desde o seu lançamento começou a ser usado como uma fonte de áudio, essa fonte é muito simples e é composta por:

-Gerador de tom para melodias;

-Gerador de withe noise (ruído branco = chiado de Tv antiga fora de sintonia), para elementos percussivos.

Dentro das limitações apresentadas os compositores para vídeo games na época conseguiram resultados espetaculares. Muitos jogos do NES e outros consoles tinham um estilo de música similar. Que tem um paralelo grande na música eletrônica atual:

-As músicas são construídas em forma de loop infinito;

-As músicas apresentam uma quantidade grande de sincronização entre os instrumentos, de uma forma que seria muito difícil de um humano tocar.

-Os compositores naquela época eram limitados em questão a polifonia, apenas 3 notas podiam ser tocadas ao mesmo tempo, foi feito um grande esforço para criar a impressão que mais notas eram tocadas ao mesmo tempo.

Atualmente os vídeo games tem uma capacidade enorme de processamento e por isso ao invés de usar geradores de timbre eles utilizam músicas inteiras gravadas e reproduzidas.

No ano de 2008 ocorreu um retorno dos sons de 8-bits, tanto pelas mãos de bandas como como “Crystal Castles” (que não se considera uma banda 8-bit), como de produtores de outros estilos que querem uma sonoridade retro.

Menos é mais, onde o Minimal e 8-bit se encontram

O uso de sons 8-bits, em partes também está relacionado com a oposição ao uso errado da tecnologia, se no passado os produtores precisavam trabalhar com uma limitação no número de canais e fontes sonoras. O ano de 2002 marcou um extremo oposto, onde foram lançadas músicas com centenas de canais, dezenas de timbres e sons tocando ao mesmo tempo. O Minimal cresceu nessa época como uma resposta a isso, com composições com poucos canais trabalhados ao extremo.

Mesmo que você não goste do sons gerados por produtores de 8-bit, todos temos muito o que aprender com essa cena que traz frescor a música eletrônica.

-Eles trabalham juntos. A comunidade 8-bit tem feito um trabalho fantástico em promoção cruzada, ajudando a divulgar o trabalho alheio, unindo-se para conseguir shows e criando compilações. No Brasil temos a tendência de execrar os nossos pares e idolatrar os estrangeiros.

-Eles se divertem. Você pode levar os seus amigos para uma festa dessas, eles com certeza vão se divertir, mesmo não sendo fãs desse tipo de som (muitas vezes composições de 8-bit podem soar estranhas para alguns ouvidos).

O que faz essa cena funcionar são festas animadas, com energia positiva e isso pode ser facilmente replicado em qualquer lugar.

-Eles trazem uma mensagem. A idéia é mostrar como a tecnologia pode ser bem aplicada musicalmente, eles reforçam de todas as maneiras possíveis. Isso adiciona longevidade, pois as pessoas acreditam que vale a pena seguir esse tipo de conceito.

-Eles são globais. Nova York tem sido um epicentro para esse tipo de música, mas mesmo lá, ainda é um pequeno nicho, para que a cena tenha continuidade eles trabalham em diferentes lugares do mundo, conseguindo fechar apresentações de artistas e festivais.

-Eles encontram campos paralelos para se conectar. Arte, vídeo game, tecnologia, isso tudo faz parte da cultura 8-bit.

Todos esses pontos soam como uma receita para ajudar gêneros musicas incomuns a ter um futuro melhor. Claro que a cena 8-bit se beneficiou, por estar na hora certa, no lugar certo e por seu apelo extra-música, mas isso não é motivo para não lutar pelo seu movimento musical.

Referências de instrumentos e samples para fazer 8-bit Music:

-8 bit Collective, coletâne on-line: http://www.8bitcollective.com/

-Nanoloop – Sintetizador e seqüenciador para Game Boy: http://nanoloop.de/

-Chip32 – Sintetizador grátis para Pc http://www.geocities.jp/sam_kb/Chip32/index.html e Mac http://www.apulsoft.ch/freeports/

-Midines – Controle o Nintendo por Midi: http://www.wayfar.net/0xf00000_overview.php

-Triforce- Sintetizador grátis para Pc: http://www.tweakbench.com/

-Samples on-line do Super Mario Bross.: http://www.4colorrebellion.com/media/pics/greenbean/4cr/smb_super_synth.swf

-Magical 8bit Plug, sintetizador grátis para Pc e Mac: http://www.ymck.net/english/download/index.html

Fontes:

http://www.createdigitalmusic.com

http://en.wikipedia.org/wiki/8-bit

http://en.wikipedia.org/wiki/8-bit_(music)

http://en.wikipedia.org/wiki/Chiptune