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Você deve estar acompanhando a série “Aula com os mestres” (parte 1 e parte 2), nela estou entrevistando 9 produtores profissionais, sobre todos os aspectos necessários para produzir música eletrônica.

Uma nova aquisição para a nossa série é a expertise do uruguaio Gustavo Bravetti, infelizmente (ou felizmente para você leitor da coluna). Ele respondeu nos mínimos detalhes por isso vou postar a primeira parte da entrevista em um artigo separado.

Observação: Não pensei em modificar o texto original que foi escrito em “Portunhol”, mas que pode ser facilmente entendido por nós brasileiros.

Como você monta a introdução e a parte final de uma música?
Por Gustavo Bravetti

Muitas vezes Todos os produtores que nos prezamos de serem caprichosos na composição das nossas criações, gostamos de fazer uma “intro” e “outro” muito bem elaboradas, trabalhado no mínimo detalhe, e ate aproveitamos para fazer exibição das nossas habilidades de composição e programação, surpreendendo já desde o começo da nossa obra prima. O que e verdadeiramente interessante, e que nos sabemos que som poucos os DJs (os encarregados de difundir nossa musica) que ligam para o conteúdo do primeiro e ultimo minuto duma musica. E mais, si tem o Kick sozinho no começo e sim complicações “melhor para mixar” (falam muitos deles), isso somado a que normalmente os dois primeiros minutos geralmente som compartilhados na mixagem com os incômodos barulhinhos da musica que vem saindo, me deixa a seguinte pergunta: -“Vale a pena?”

E a resposta e: -“Claro que sim!”. Mas uma coisa que na lógica não adianta, e gostamos de fazer de qualquer jeito sem escutar rações nem motivos, não vai desequilibrar o nosso diário viver. E não temos de esquecer que sempre esta a oportunidade de nos vingar atrapalhando com nossos barulhinhos a o DJ e a música que vem depois da nossa.

Eu geralmente utilizo a técnica de composição do “endless loop”. Esta técnica consiste em trabalhar sobre um loop sem fim, a o tempo que vamos adicionando elementos nesse loop, conformando o que será o groove da nossa musica, experimentando combinações etc,. O que no Live normalmente se faz do lado do Session. Quando temos todos (o quase todos) os elementos que conformaram nossa produção e hora de começar a trabalhar a estrutura, e o primeiro que geralmente eu faço do que vai ser a estrutura definitiva e a intro.

A introdução e uma das coisas mais difíceis na hora de começar a definir a estrutura de uma nova produção. Tanto assim que às vezes ate por preguiça, gostamos de nos inventar desculpas, horas e horas placidamente atrapalhados no Session; fugindo do Arrangement. Mas tarde o cedo tem que afrontar os seus medos e se sujar as mãos, e chegada à hora e bom ter algumas dicas para não perecer no intento

Para mim a intro e muito importante, dela depende (a nível psicológico) o que vai acontecer depois na minha produção. Si eu faço uma intro que não me motiva, não consigo continuar. Então, temos que nos dedicar, mas o justo e necessário para poder prosseguir, logo tomaremos conta dela novamente e faremos os detalhes finais.

Para sair bem sucedidos e a pesar que a música quase sempre e o resultado de uma serie de acidentes desta vez temos que planejar, e a melhor maneira, pelo menos nos começos, e nos guiando pelas estruturas convencionais, depois com mais experiência podemos experimentar mais, e se mais ousados.

Falando em termos de estruturas convencionais, normalmente a intro acaba depois de um pequeno break down, normalmente antes da entrada do baixo (compasso 65), quem vai fazer um incremento importante na energia da musica, dando uma idéia bastante concreta do groove da mesma.

Sempre temos que lembrar que e bem improvável que o DJ deixe os dos baixos de duas musicas distintas coexistirem no mesmo tempo, então, uma inclusão prematura do baixo não faz muito sentido. Perdemos uma oportunidade de jogar com a energia a nosso favor e deixamos isso em mãos do DJ, então vamos a esquecer do baixo ate compasso 65 (2:00 si trabalhamos a 128BPM) e vamos a ver quais elementos dos que já temos podem ser usados na introdução. Pode ser o Kick, os hats, claps, elementos rítmicos, etc. Uma vez que temos esses elementos procedemos a fazer um “build up” (ir adicionando elementos), para isso e bom dividir os 64 compassos em cuatro blocos de 16 compassos cada. Então a grosso modo podemos começar com alguns poucos elementos no primeiro bloco, para logo adicionar alguns mais no segundo, mas outros no terço, e no quarto podemos adicionar o tirar elementos para fazer um break down mais longo que incrementara a energia quando entrar nosso baixo no compasso 65. As veces temos elementos que não da para adicionar porque eles som o muito fortes o muito carregados e o não ficam bem na intro, o só queremos deixar eles para depois, para não estragar alguma surpresa. Mas em live e muito fácil criar versões “minimais” desses elementos, e não estou falando do estio “minimal” só uma versão bem mas sutil do original. Adicionar esses elementos na “intro” ajuda a o cérebro a se preparar para entender o que vira depois dando uma sensação de continuidade em toda a produção.

Automatizar parâmetros de sons e efeitos e de muita ajuda para conseguir variações sutis na intro, a Idea e não deixar que o ouvinte fique aborrecido, para isso tambem som boas as micro edições. Uma micro edição e uma variação que vc faz sobre o elemento original sobre a estrutura para quebrar a sensação repetitiva inerente a o elemento, e dar uma sensação mais fresca o ao vivo. Um exemplo de micro edição e deletar o mexer (1/16 para a frente o para atrás) o ultimo kick de cada bloco de 16 compassos. As micro edições podem ser feitas em todo tipo de elementos, mas eu recomendo não abusar delas na “intro”, por enquanto não agora. No caso contrario o ouvinte fica acostumado, as micro edições perdem o fator surpresa ,e vc fica dependente delas, acabando com uma produção muito trabalhada no começo, mas não no médio nem no final. Por todo isto e bom ir devagar, adicionar algumas só para fazer mas bonita a intro e podernos continuar com o que vem depois.

Logo de ter já quase acabada nossa produção (estou falando da parte do meio), e uma boa hora para voltar a trabalhar na intro. E bem provável que depois de ter trabalhado muitas horas vc tenha criado um monte de efeitos e automatizações diversas nos mesmos. Por exemplo, no break do meio, algum feedback delay num som que vai se acrescentando, um reverb que vai se carregando hasta a explosão principal, o simplesmente algum elemento novo que vc crio,. Todos eses elementos novos podem ficar ótimos na intro, para isso som tem que isolar o efeito. Issto e ficar so com o efeito e tirar o elemento que o produz, tipo ficar so com o reverb mas sem a voz que o produz. Então e bom testar todos esses novos acidentes na intro, não esquecemos que si e o elemento fica muito carregado para a intro, sempre tem a possibilidade de fazer a versão “mimina”, mexer ele ate que de certo, e o mais importante: tecnica va a aumentar a continuidade e coerência geral da nossa produção.

Por ultimo a construção da “outro” e bem fácil:
So tem que fazer todo isto que acabam de ler, mas em ordem invertida.

Desfrutem e lembrem que com Ableton e mais fácil!