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Camilo Rocha palestrando em evento da AIMEC

Tenho o maior prazer em abrir uma série de entrevistas para o blog, com o Dj e jornalista de São Paulo, Camilo Rocha.

Ele está na ativa desde os primórdios da cultura eletrônica no Brasil, o DJ, produtor e jornalista Camilo Rocha passou por todas as festas, publicações e movimentos que importam, sempre à frente da divulgação de novos talentos e sonoridades. O resultado é simples: Camilo é uma daquelas pessoas para quem definições como “um dos nomes mais importantes” não são mero exagero. Sua credibilidade no meio é amplamente reconhecida, como artista e comunicador.

Conte como você iniciou a sua carreira como Dj?

Desde a adolescência sou obcecado em comprar discos. Naturalmente, comecei a tocar nas festinhas do bairro. Mas na época, não me tornei profissional e fui cursar jornalismo, que é a minha outra profissão até hoje. Foi em 95, 96 que decidi me profissionalizar nas pick-ups. E nunca mais olhei pra trás.

Você no começo tocava Techno mais pesado, como foi a sua transição para o som que você toca hoje?

Acho que foi algo que veio com a idade. Som pesado cansa depois de um tempo. Mas não só isso: essa própria estética mais hard, acid, bombação, apresentou sérios sinais de cansaço a partir do meio dessa década. Tanto é que houve essa migração em massa dentro do techno (como nunca vi na música) para sons mais funkeados, BPM mais baixo, menos BOOM-BOOM-BOOM e mais TUM-TSAK-TUM-TSAK

O seu trabalho como jornalista ajudou na sua carreira de Dj?

Sim, e vice-versa. Como os dois são ligados à música, não tem como uma coisa não misturar com a outra. Mas, por outro lado, sou muito ético, se estou envolvido de alguma forma em algum evento nunca iria escrever sobre ele.

Em uma matéria recente para a House Mag, você fez uma critica pessimista da música eletrônica, ela perdeu a sua essência?

Acho que em grande partes dos lugares sim. Em 90% dos casos, não é mais subversiva, não é mais “o novo”, não é mais idealista, não é mais revolucionária. Ainda assim, é a melhor trilha para se divertir e, como disse outro dia o DJ Fabio (pioneiro do drum’n’bass de Londres), “é a única música que ainda tem a capacidade de mudar vidas”.

Qual conselho você daria para um Dj iniciante?

Personalidade acima de tudo, é legal você se inspirar em outros, necessário até, mas você terá muito mais chances de se destacar se fizer algo com a sua cara em vez de ser só mais um na linha de montagem. Fora que é bem mais divertido.

Confira também o blog do Camilo no Rraurl: Bate Estaca