Por muito tempo acreditei, que os meios eram mais importantes que os fins. Na verdade eu estava completamente errado. O objetivo final de quem sai a noite é ouvir música boa. Como ela é apresentada é secundário.

Diferente do universo de bandas onde o virtuosismo dos músicos é uma das grandes atrações, dos DJs e Live Pas o que se espera é uma excelente seleção musical e mixagens perfeitas entre as músicas.

Como eu faço para me destacar ao vivo?

A regra de ouro é: “Faça música boa, o resto é acessório”.

Um ótimo exemplo é o Gui Boratto, ninguém do meio eletrônico conhecia ele a 3 anos atrás, em pouco tempo ele conseguiu ficar conhecido no Brasil e no mundo, essa fama veio simplesmente da qualidade dele como produtor, não do seu Live Pa que para muitos pode ser considerado bem simples.

Uma única música que você consiga emplacar, já é o bastante para manter a sua carreira atribulada por pelo menos 1 ano (no passado esse tempo era de 5 anos).

10 Dicas para ter um Live Pa de sucesso:

1 – Conheça o seu público

Chegar com um set de Minimal quando o público quer ouvir House com vocal pode ser mortal. A culpa na verdade é mais do promoter que colocou você nessa roubada do que sua, mas mesmo assim acredito que o seu objetivo seja de bombar a pista (não que para isso você vai precisar vender o seu corpo).

Ligar para o promoter uma semana antes, para conferir o horário do seu set, DJs que tocam antes e depois e a política musical da casa, demonstra sua preocupação com o evento, público, promoter e com você mesmo.

Acapellas, Dj Tools e Live Mash-ups podem ajudar a deixar o seu set mais digerível para qualquer audiência.

2- Comece com uma pausa

Com o Ableton Live 8 e uma APC, qualquer artista que se preze (e que tenha sido um DJ de vinil/cd), vai conseguir sair mixando em cima da última música do DJ que está tocando. Relute em fazer isso, deixe a música do DJ que está tocando terminar para você começar o seu set.

Crie uma “intro” que roube a atenção da audiência.

Essa pausa também é interessante pois se as suas músicas não tiverem tão bem masterizadas o público não vai sentir tanto.

3- Live Pa estilo DJ set

Os Dead Pas estão em baixa, se você pensa em chegar com um set pronto, acho melhor você pensar melhor sobre o assunto.

Com o set pronto, você não vai ter a chance de ditar o ritmo baseado nas impressões que a pista de dança está te passando, e no fim das contas o que você vai fazer lá na frente? Dançar? Encher a cara?

Tocar na tela de cenas do Ableton Live, permite uma grande maleabilidade seja na ordem das músicas, ponto de início das mixagens, loops efeitos e muito mais. Um Live Pa assim tem muito mais possiblidades que um DJ tocando com CD/Vinil.

4- Simples mas eficaz (o seu Live precisa ser seguro)

Se você acabou de comprar uma nova controladora ou se você está querendo ligar o 4 controle do Nintendo Wii no seu computadaor, não faça isso no dia nem muito menos no próprio evento. O tempo de teste seguro para qualquer grande modificação no seu set-up deve ser de pelo menos 1 mês de práticas no seu estúdio, para depois levar com segurança para o palco.

Essa medida preventiva vai evitar muitas dores de cabeça, leve em consideração que nem 1% das pessoas que estão dançando entendem o que você está realmente fazendo lá na frente.

5- Visual

Você já foi ver um show do Chemical Brothers?

Eu fui e percebi que eles não fazem muito ao vivo (ou sendo bem sincero eles não fazem nada), mas por outro lado a parte visual tem um grande apelo, seja por causa da tela de led gigante com imagens sincronizadas que tem atrás do palco, ou pela montanha de equipamentos que eles levam.

Todos os sintetizadores e baterias eletrônicas da dupla são dispostos de uma forma que o público consiga ver que eles estão realmente ligados (pelo menos na tomada), assim o Live deles parece mais ao vivo e difícil de ser reproduzido.

6 – Atitude

Música não é nada sem atitude, sem querer generalizar (mas já generalizando):

  • Por que os surfistas gostam de Reggae?
  • Por que os metaleiros gostam de Punk Rock?

Essas relações são construídas em um universo que fica acima da música em si, é nesse ponto que entra a atitude.

Fábula do macaco maluco

Infelizmente vai ser muito difícil de um jornal (ou sites) noticiarem que o seu set foi incrível na noite passada, mas com certeza muitos meios de comunicação iriam noticiar que você subiu na mesa e fez xixi na galera ou melhor ainda que cagou na mão e jogou em todo mundo.

Atenção: Com essa ideia eu não quero incentivar ninguém a ter atitudes erradas mas sim a ter uma personalidade forte que fuja do meio comum.

7- Carisma

Muitos vencem só com boa música tocada de qualquer jeito, mas para você continuar vencendo, o carisma é de grande valia.

Não é preciso dar socos no ar e muito menos piruetas mas um belo sorriso de orelha a orelha, é o mínimo que o público espera de você.

Brigou com a namorada, o vôo atrasou e você ficou sem dormir? Deixe todas essas preocupação do lado de fora da festa, lá dentro você deve compor o personagem e manter o script até o final.

8 – Contato com o público

Eu estou lentamente abandonando o Msn, não que eu ache ele uma ferramenta ruim, mas depois de você ter centenas de contato é comum inúmeras interrupções que não são muito produtivas, prefiro atualmente conversar por e-mail, comentários nos  artigos aqui do site, Twitter, Orkut e Facebook.

Independente do seu método o ideal é você ser uma pessoa de contato fácil e com disposição para dar dicas, responder dúvidas e muito mais.

Ponto de contato

Eu parei um pouco de fazer esse tipo de ação, e me arrependo.

No começo da minha carreira eu mantinha uma regularidade de fazer pelo menos um set mixado por bimestre (com tiragens entre 100 e 200 cópias), essa é uma forma das pessoas levarem você para casa e também de divulgar o seu nome (para isso o ideal é uma arte bem feita em um cd de qualidade).

Muitos desses cds eu distribuía no meio do meu set – de preferência na melhor música da noite, ao levantar um punhado de Cds, não demorava nem 3 segundos para o público começasse a correr desesperado na minha direção. Para esse movimento ter melhores resultados o ideal é ter nas mãos uns 20 cds (poucos vão conseguir pegar – mas todo mundo vai lembrar do artista gente boa que você é).

Camisetas, adesivos e outros mimos também podem ser usados.

9 – Falso Final

Um bom exemplo de Live PA que cria um falso final é o do Chemical muitas bandas também fazem o famoso bis).

Os Irmãos Químicos, criam o set como se fosse uma montanha russa. Com muitos picos (músicas mais animadas) e vales (músicas mais calmas) – esse sobe e desce não é de bpm e sim de intensidade. Em um desses picos no show do álbum “We Are The Night”, eles paravam o som saiam do palco, até as luzes de serviço eram ligadas para dar a impressão que a balada tinha terminado, isso tudo dura uns 5 minutos (que é uma eternidade dentro de uma casa noturna ou melhor ainda em um estádio lotado), nesse meio tempo as luzes começavam a se apagar lentamente e uma batida ia aumentando de volume, em pouco tempo estava todo mundo dançando como se essa fosse a última música – assim o show deles ganhava um novo impulso.

Para recriar isso você vai precisar estar em sincronia com o ilumindador – uma boa porção de sangue frio também é necessária.

10 – Set up na mochila

Programe-se para todos os seus equipamentos caberem dentro de uma mochila, você vai sentir uma grande dor no coração quando tiver que despachar alguma das suas preciosidades.

Pense muito bem em qual vai ser a sua próxima aquisição, comprar por comprar e plugar por plugar qualquer sintetizador ou controladora Midi não vai ajudar nada no resultado final (que é fazer o público dançar), na verdade isso até atrapalha pois quem conhece vai ficar esperando você usar a ferramenta e no fim vai se decepcionar, eles além de se sentir enganados vão com certeza comentar com o seu círculo de amizade, como “tal” equipamento estava ligado e como ele não foi usado adequadamente

Você já tinha aplicado algumas dessas possibilidades?