Reuni 9 produtores para falar com exclusividade com o dgtl.lv/clients/ilankriger/wordpress. Cada um deles vem de um background diferente, produzindo os mais variados tipos de som como: House, Techno, Progressive, Electro, Lounge, Pop, Rock e Full-on.

Este é o terceiro artigo da série. Se você perdeu os dois primeiros confira aqui:

Aula com os mestres – Como construir a introdução e a parte final de uma música
Aula com os mestres – Como criar e mixar o Kick e o Baixo
Gustavo Bravetti – Como montar a introdução e a parte final de uma música

Cada um desses artistas com anos de trabalho, construiu uma filosofia própria. Acredito que assimilando informações desses mestres, o trabalho de desenvolver a sua própria característica como produtor vai ser bem mais fácil.

Gostaria de agradecer as dicas preciosas que: Rafael Araújo (Nyllon), César (Ganjasonic), Android (Rússia), Reinaldo (Beat Gate e Swe Dagon ), Mateus B., Claudinho Brasil, Dudu Nahas (D-Ignition), Alonso Figueroa e Rodrigo Lengning, não tiveram medo de compartilhar com os leitores do blog.

Neste terceiro artigo os mestes trazem importantes informações sobre como construir e mixar a bateria de uma música.

Criar e mixar a bateria de uma música (Open Hat, Close Hat, Snare e Loops)

Alonso Figueroa – E-Level

Alonso Figueroa

O snare tem o poder de mudar a cara da track: uma sonoridade mais próxima de um clap, deixa-a mais festiva; já uma sonoridade mais agressiva a torna mais intimista. Portanto, quando vou escolher o Snare já tenho em mente as carcterísticas que ele deve ter e escolho o sample mais próximo do que eu quero. Contudo, é na mixagem que chego ao som desejado utilizando os aplicativos necessários para tal (equalizador, compressor, saturador, etc). O Open Hat tem uma função rítmica importantíssima: é ele quem contrabalança simetricamente o tempo marcado pelo kick, dando a tradicional sonoridade “TunChi-TunChi” da música eletrônica de pista. As suas caraterísticas sonoras (natural, sintético, limpo, rasgado, release curto, release longo, mais médio, mais agudo, etc) também ja trazem subentendida a intenção da track. O procedimento para o escolher é o mesmo que foi descrito para o snare e que também servirá para o close hat. Este (Close Hat) deve conversar bem com o open hat, pois irá preencher os espaços entre ele e o kick. Quando utilizo loops de percussão, costumo fazer neles uma “reciclagem” com o objetivo de customizá-los de acordo com a track.
O Open Hat e o Snare, juntos com o kick e o baixo, compõem na panorâmica a parte central da base da track. Já os loops de percussão e o close hat eu costumo distribuir na panorâmica afim de espacializar melhor a música. Ainda na mixagem, um canal de grupo com open e close hats sendo tratados juntos pode trazer uma unidade para o seu chimbal.

Rodrigo Lengning

Rodrigo Lening


Eu particularmente gosto de criar baterias e ritmos em MIDI que simulem o groove de um instrumento sendo tocado ao vivo. Dou muita atenção na parte rítmica da música, pois sem ela tudo soa travado e quadrado, principalmente em composições realizada em computador. A mixagem dos elementos rítmicos eu sempre faço por primeiro, pois são a base da música, e uso geralmente o baixo e um outro elemento melódico como referência.

Android (Rússia)

Android Russia

Toda parte de bateria deve interagir com os outros elementos para criar o groove da música

rafaelaraujohg5

Utilizo alguns samples de kick e snare em wav direto na tela de cenas (Ableton Live). Depois passo paro arranjo já pronto. Para hats e snare utilizo o impulse. Procuro criar grooves interessantes, sempre diferente de todos que eu ja fiz anteriormente. Escrevendo os grooves sempre de maneira diferente.

Dudu Nahas Rodrigo Lengning

Dudu Nahas

Uso o Impulse, plug in nativo do ableton, é um sampler especializado em bateria. As fontes devem ser boas, sem sombra de dúvida. raramente uso hats de plug-ins, mas são interessantes pelas automações possíveis.

Ganjasonic

cesar-ganjasonic

Re- defino o começo meio e fim da música, as partes dela, as cenas, e as necessidades de bateria ou percussão, como se fosse uma música normal, mas é preciso ter “cabeça” de baterista e pensar como ele e também levar em conta o bass e o groove desejado.

Beatgate

beatgate

Para os pratos uso Batery, Drumatik, Loops, Phatmatic ou Spectrasonics Stylus. O groove é montado em cima do ritmo feito pelo bass e kick e assim por diante acrescentando um por um e desde já equalizando pra cada um ficar em sua respectiva freqüência e soando nítido.

Claudinho Brasil

Claudinho Brasil

Gosto de trabalhar com snare forte junto com kick. Hoje em dia gosto de trabalhar com o open mais seco (fecho o ‘decay’). O close tem que estar grooveado, ele funciona bem com efeito estéreo. O open e o close eu gosto de cria-los juntos provocando a sensação de um baterista tocando no cymbal. O loop é muito relativo, mas trabalho muito com automação de envelope recriando o mesmo (‘warp’,‘sample off set’ ou até mesmo o envelope de volume funcionam muito bem).

Mateus B.

matheusb

Utilizo bastante o Microtonic da Sonic Charge e o Operator sintetizador nativo do ableton ele é ótimo para hats, snares e etc… No processo criativo gosto de linkar botões botões de racks criados dentro dos synts que fazem a bateria ir construir as subidas enquanto produzo outros elementos.