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Este é o segundo artigo da série “Aula com os mestres”.

Artigo anterior: “Como criar a introdução e a parte final de uma música”

Agora mais dois artistas entraram para o time de feras, que já reunia: Rafael Araújo (Nyllon), Android (Rússia), Reinaldo (Beat Gate e Swe Dagon), Claudinho Brasil, Dudu Nahas (D-Ignition), Alonso Figueroa e Rodrigo Lengning, os dois novos mestres residem em Curitiba, César do projeto Ganjasonic e Mateus B., natural do Rio Grande do sul.

Neste artigo os tutores, discorrem sobre a célula central que forma a música eletrônica, o kick (bumbo) e baixo (linha de baixo) e como esses dois elementos são mixados.

Android (Rússia)

Dj Android (Rússia)

Eu uso a compressão de side-chain em todas as músicas, considero essa a melhor opção.

Mateus B.

mateusb

Tento manter o Kick em -5db e nenhum elemento acima desse volume. Conforme vou adicionando camadas tento ir comparando com o kick. Para o baixo não sigo muito padrão, gosto muito do Analog nativo do Ableton, Massive, Circle entre outros.

Muitas vezes fico tocando um tempo no controlador depois aproveito os Midis, também utilizo bastante arpegios e outros efeitos midi para criar movimento.

Reinaldo (Beat Gate)

beatgate

Para o Kick uso o waldorf Atack ou alguns samples.

Eu inicio as minhas músicas com o kick, com ele tocando vou montando o bass, assim vou equalizando e os deixando com harmonia perfeita. Sem um engolir o outro.

Rafael Araujo (Nyllon)

Rafael Araujo (Nyllon)

Tenho um sample de kick que utilizo em todas as tracks do meu projeto Nyllon. Tento caracterizar a minha personalidade musical e sonora atraves da similaridade entre os timbres, principalmente os de bateria.

O baixo eu faço sempre de uma forma que nao agrida o meu kick. Nao utilizo compressão de side-chain. As tracks acabam soando bem sem precisar disso.

César (Ganja Sonic)

Ganjasonic

Dependendo da idéia inicial, se a idéia for calma, procuro por kicks macios e longos, se for agitada, kicks mais robustos e rápidos e combinações de sub kicks desenhados no sound forge,

a partir de uma onda senoidal de 60hz.

Definido o kick, procuro por 2 sons de baixo, 1 pra colocar o kick no tom da musica e normalizar a pancada, e outro para as notas mais para médio grave.

Depois eu parto para a mix. mas a mix final só sera decidida, quando a música inteira estiver pronta. Assim eu consigo produzir os devidos nuances necessários.

Claudinho Brasil

claudinho brasil

O kick e o baixo, juntos, são o coração da música eletrônica. Eles dão o groove. É muito importante que eles estejam muito bem trabalhados, mixados e equalizados. Por eles trabalharem a mesma freqüência é muito importante cuidar com a equalização ou usar o famoso ‘side-chain’, para que um possa dar espaço ao outro, sem que aja conflito de freqüências ou cancelamento de fase.

Rodrigo Lengning

Rodrigo Lengning

A minha mixagem varia muito de música para música, pois depende do número e tipo de sons existentes. Eu não costumo fazer mixagem por elementos isolados e sim como um todo. No caso do Kick eu geralmente faço a mixagem dele em conjunto com o restante da bateria e percussão, o baixo e algum elemento principal como, por exemplo, o Lead. O Baixo eu costumo mixar junto com os outros elementos harmônicos e melódicos e também com o Kick.

Alonso Figueroa (E-Level)

alonso1

O baixo e o kick são elementos irmãos que compõem juntos a base grave da track, quaisquer seja o estilo dela. Portanto, sempre que começo uma música, o primeiro elemento que escolho é o kick e o segundo é o baixo, ou vice-versa. Para a criação da linha de baixo acho q a melhor alternativa é começar com uma ou duas notas bem colocadas dentro do(s) compasso(s), para mais à frente ter espaço para complementar a idéia e consequentemente dar mais um peso para a track.

A mixagem desses dois elementos é fundamental para que eles realmente soem como uma coisa só. Isso pode ser conseguido de várias formas, por exemplo:

– na equalização, evitando que eles trabalhem uma mesma faixa de frequência e sim em faixas vizinhas, valorizando as frequencias graves do kick e as sub-graves do baixo;

– na panorâmica, deixando-os no centro;

– na compressão (no baixo) por side chain (ativada pelo kick), aumentando a interação entre os dois elementos;

– aplicando o mesmo compressor nos dois através de um canal de grupo;

Muitas vezes vale a pena fazer um canal somente para o sub-bass, utilizando ou não as mesmas notas da linha de baixo, com o equalizador deixando passar apenas as frequencias sub-graves. Neste caso é melhor filtrá-las no canal do baixo.

Dudu Nahas (D-Ignition)

dudu-nahas

O kick geralmente eu uso samples, seja de tracks já existentes ou de banco de samples, sempre procuro fazer automações e compressão que os tornem únicos.

Nos baixos não uso samples, por que eu gosto de variar as melodias e os timbres, entao uso VSTs. Sempre procuro comprimir o kick e o bass em um canal de grupo, acho que ajuda na mixagem, tambem comprimo o baixo usando side-chain.