Eu estava muito ansioso com o lançamento do software que iria marcar a união entre o Ableton e o Serato, a minha expectativa era de um produto que seria matador e que mudaria a direção do universo de DJs digitais para sempre.

O The Bridge é em certos aspectos uma inovação, mas apenas para os usuários do Serato, para quem não tem habilidade de fazer malabarismos (scratchs e afins) com os toca-discos (como eu e muitos outros DJs e produtores) o software não vale muito.

A Ponte (The Bridge) faz a conexão entre o Ableton e o Serato em duas direções:

Ableton para o Serato

ableton-to-serato

Um dos decks do Serato pode se transformar na tela Session View do Ableton Live, com isso você pode com uma APC 40 ou outra controladora Midi, disparar clips, cenas, efeitos e afins.

Ableton no Serato

A velocidade do Ableton pode ser manipulado pelo timecode vinil/cd (você pode discotecar com o som que está sendo criado em tempo real pelo Ableton), infelizmente não é possível fazer scratch e nem mesmo tocar o áudio de trás para frente.

A tela do Serato pode ser customizada para mostrar 4, 5, ou 8 cenas, e 4, 6 ou 8 tracks. Outras duas funções me chamaram a atenção:

imageVeja os seus bars e beats

Isso é bem interessante, é possível ver uma representação gráfica do som gerado no Ableton dentro do Serato.

imageTravar o Groove

É possível usar o botão “sync”, para igualar a velocidade do Ableton com outra fonte de música.

Serato no Ableton – Mixtape

Neste tipo de conexão tem alguns aspectos interessantes mas também duvidosos.

O DJ no Serato pode gravar o mix para depois abrir e edita-lo dentro do Ableton, o set é gravado como um arquivo .als (que é o formato dos projetos do Ableton Live) dentro de uma pasta também com os arquivos de áudio gerados, pode parecer interessante mas:

  • Para isso você vai precisar de um destes mixers da Rane Rane SL, Rane SL 3, Rane SIXTY-EIGHT, Rane MP, Rane TTM 57SL A, Vestax VCI-300, Numark V7, Numark NS7, Denon DJ DN-HC5000 ouAllen & Heath Xone DX;
  • Qualquer DJ vai poder editar os seus erros ou mesmo refazer o set dentro do Ableton Live.

O lado interessante dessa conexão é que a partir da versão 8.1 o Ableton tem em seus arquivos .als, uma espécie de arquivo .xml que vai pode ser hackeado e também usado por outros softwares.

Ponto forte do The Bridge

Integração sem atrasos e conexões extras entre Ableton e Serato (melhor que qualquer tipo de Rewire), aqui não faz diferença qual programa você abre primeiro.

Pontos Fracos

  • Visualização dentro do Serato não dá muitas dicas visuais (como os 4 decks do Traktor dá);
  • Não é possível fazer scratch com projeto e partes de músicas do Ableton no Serato (só controlar a velocidade para mixar);
  • Produtores musicais não ganharam mais controle;
  • Não existe marcação de múltiplos Cue points como no Traktor;
  • Você precisa ter o Ableton e o Serato para usar o The Bridge;
  • Você precisa de mixers especiais para colocar o Serato no Ableton.

Conclusão:

Senti que as duas empresas quiseram dar as mãos mas não ir muito a fundo no relacionamento. O The Bridge não é um novo produto e sim um conexão entre os dois.

Nunca usei o Serato, mas sei pelos muitos DJs de Hip-Hop que o usam que ele é muito estável e que não usa muito processamento, mas venhamos e convenhamos a interface é muito feia e ele perde de goleada do Traktor.

Eu esperava algo assim:

O The Bridge foi anunciado como o primeiro fruto dessa parceria, espero que eles consigam encontrar alguma solução que realmente coloque o Ableton e suas infinitas possibilidades na berlinda dos softwares de discotecagem, eu sinceramente estou bem tentado a começar a usar o Traktor com o Kontrol X1 enquanto isso.

E você, o que achou?